É sangue que quero ver.


A TV reporta muitas tragédias pois as pessoas adoram tragédias, ou as pessoas adoram tragédias porque a TV reporta muitas tragédias?


Ninguem pode negar o enorme número de curiosos que se aglomeram na cena de uma tragédia; seja um crime, um acidente de trânsito ou um acidente de trabalho, falou que vidas foram dirimidas, aparece um monte de bicudos querendo ver de perto o que aconteceu.
Se a tragédia do Onze de Setembro tivesse acontecido no Brasil, um número muito maior de pessoas teria morrido. Nos EUA, quando a primeira torre foi atingida, as pessoas correram para se afastar dos prédios. Aqui no Brasil, as pessoas teriam corrido para ver de perto o prédio atingido.
Levar notícias ruins ao público virou um vício editorial. Quanto mais sensacional, mais vende. Brasil Urgente, Balanço Geral, Jornal da Alterosa (Minas), sem falar dos jornais impressos de R$ 0,25 que, quando não houve jogo de futebol no dia anterior, trazem sempre como manchete principal algo bastante bizarro.

"Latrocínio em família: criança de dois anos mata a avó para roubar sua fralda geriátrica".


"Acidente envolvendo mais de dez veículos mata 20 na BR 040: cegonheira carregada atropela 20 vacas na beira da rodovia".

Nos últimos dias, o Jornal Nacional, da Rede Bobo, só tem um assunto: Angra dos Reis. Uma fatalidade ocorrida em um ambiente de pessoas abastadas, e bem abastadas para se dizer a verdade. O mensalão do Distrito Federal foi esquecido facilmente, e, como não tem futebol para ocupar as mentes das inteligentíssimas pessoas que se aventuram pelo mar do noticiário televisivo, fiquemos mais umas semanas vendo as mesmas imagens da pousada Sankay.

E ainda querem que eu seja um otimista. Aff.
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