Burrocracia.

Felizmente, ou não, sou funcionário público. Depois de 12 anos trabalhando na rede privada, descobri que não dava mais. Estava de saco cheio. Não gostava mais de fazer o que eu fazia.

Agora trabalho em uma "seção". Não sou chefe, mas às vezes me acho o Lineu, "o Funcionário Público". No começo ficava até tarde na seção fazendo serão extra. Queria ver a Máquina funcionando mais rapidamente, colocar em dia os serviços atrasados. Aff.
Só parei quando descobri que na verdade estava tentando fazer a coroa girar mais rápido que a catraca. Aff denovo.
O serviço público não tem conserto. Quando alguém chega querendo fazer algo para mudar, muitos tentarão impedí-lo. Há um livro de registros em minha seção que, ao entrar, me disseram que deveria ser preenchido à tinta preta. Perguntei porque não azul, mas não conseguiram me explicar.
Fiz o teste: após quatro meses no serviço resolvi preencher com tinta azul, vermelha, grafite e o escambau a quatro, oficio e tudo mais.
Ahhhh, não ficou barato pra mim não. Falaram basante na minha orelha. Bati o pé e pedi denovo que me explicassem o porquê de toda essa sistematização. Me responderam o seguinte: "Sempre foi assim que fizemos."
Faltam menos de 20 anos pra minha aposentadoria.



Um grupo de psicólogos se dispôs a fazer uma experiência sobre a inteligência dos macacos. Colocaram cinco macacos dentro de uma jaula. No meio da jaula, uma mesa. Acima da mesa, pendendo do teto, um cacho de bananas. Os macacos viram as bananas. Os macacos gostam de bananas. Pensaram que seria bom comer as bananas. Viram a mesa. Concluiram, com sua inteligência instrumental, que subindo na mesa alcançariam as bananas. Viram, desejaram, pensaram e partiram para a ação. Um dos macacos subiu na mesa para apanhar uma banana. Mas os psicólogos estavam preparados para tal eventualidade: com uma mangueira deram um banho de água fria nos macacos. Foi um susto. O macaco que estava sobre a mesa, ensopado, desistiu provisoriamente do seu projeto de comer bananas. Que lamentável incidente! Passados alguns minutos, secos os macacos, olharam de novo para as bananas com desejo. Outro macaco resolver subir na mesa para comer as bananas. Mas o mesmo banho de água fria se repetiu. Depois da mesma coisa se repetir por quatro vezes os macacos, inteligentes, concluiram que havia uma relação causal entre subir na mesa para apanhar bananas e o banho de água fria. E como o medo da água fria era maior que o desejo de comer bananas, resolveram que nenhum deles tentaria de novo comer bananas, sob pena de uma surra. Assim foi. Quando um macaco delinquente resolvia fazer a coisa proibida, antes do banho de água fira os outros lhe aplicavam a surra merecida.
Aí os psicólogos retiraram da jaula um macaco e colocaram no seu lugar um outro macaco, fresquinho, que nada sabia dos banhos de água fria e dos acordos havidos para se evitar o banho. Ele se comportou como qualquer macaco. Foi subir na mesa para comer as bananas. Mas antes que o fizesse os outros quatro lhe aplicaram a surra de direito. Ele nada entendeu. Pensou, talvez, que se tratasse de uma cerimônia de iniciação. Passada a dor da surra, voltou a querer comer a banana e se encaminhou para a mesa. Nova surra. Depois da quarta surra ela concluiu e aprendeu: “Nessa jaula macaco quem sobre na mesa apanha.” E, sendo minoria, ele não tinha condições de se rebelar. Adotou então a sabedoria cristalizada pelos políticos humanos que diz “se você não pode derrotá-los, junte-se a eles.”

Os psicólogos retiraram então um outro macaco e colocaram outro fresquinho no seu lugar. Aconteceu a mesma coisa. Os três macacos originais mais o último macaco, que nada sabia da origem e função da surra, se juntaram e lhe aplicaram a sova de praxe. Esse último macaco também aprendeu que naquela jaula que subia na mesa apanhava.

E assim continuaram os psicólogos a substituir os macacos originais por macacos novos, até que na jaula só ficaram macacos que nada sabiam sobre o banho de água fria. Mas, a despeito disso, o ritual da surra continuou. Se se perguntássemos a esses macacos sobre a razão porque eles surravam os macacos que tentavam subir na mesa para apanhar banana, eles haveriam de responder, se pudessem: “ É assim porque é assim. Nessa jaula macaco que sobe na mesa para comer banana apanha”...

Extraído do texto "Não esqueça as perguntas fundamentais", de Rubem Alves.

Lembre-se: duazoreia e uma boca.


É sangue que quero ver.


A TV reporta muitas tragédias pois as pessoas adoram tragédias, ou as pessoas adoram tragédias porque a TV reporta muitas tragédias?


Ninguem pode negar o enorme número de curiosos que se aglomeram na cena de uma tragédia; seja um crime, um acidente de trânsito ou um acidente de trabalho, falou que vidas foram dirimidas, aparece um monte de bicudos querendo ver de perto o que aconteceu.
Se a tragédia do Onze de Setembro tivesse acontecido no Brasil, um número muito maior de pessoas teria morrido. Nos EUA, quando a primeira torre foi atingida, as pessoas correram para se afastar dos prédios. Aqui no Brasil, as pessoas teriam corrido para ver de perto o prédio atingido.
Levar notícias ruins ao público virou um vício editorial. Quanto mais sensacional, mais vende. Brasil Urgente, Balanço Geral, Jornal da Alterosa (Minas), sem falar dos jornais impressos de R$ 0,25 que, quando não houve jogo de futebol no dia anterior, trazem sempre como manchete principal algo bastante bizarro.

"Latrocínio em família: criança de dois anos mata a avó para roubar sua fralda geriátrica".


"Acidente envolvendo mais de dez veículos mata 20 na BR 040: cegonheira carregada atropela 20 vacas na beira da rodovia".

Nos últimos dias, o Jornal Nacional, da Rede Bobo, só tem um assunto: Angra dos Reis. Uma fatalidade ocorrida em um ambiente de pessoas abastadas, e bem abastadas para se dizer a verdade. O mensalão do Distrito Federal foi esquecido facilmente, e, como não tem futebol para ocupar as mentes das inteligentíssimas pessoas que se aventuram pelo mar do noticiário televisivo, fiquemos mais umas semanas vendo as mesmas imagens da pousada Sankay.

E ainda querem que eu seja um otimista. Aff.

Só o começo. Será?



Ano novo, vida nova, blog novo.


E uma velha impressão: este blog não vai durar muito. Aff.
Mas vamos lá. Afinal, se não tentar, não tem como dar errado.
Quando eu tinha apenas oito anos de idade minha mãe me dizia: mininu, não suba nesta árvore, pois senão você vai cair. Pois fui lá, subi, e caí. Viu só? Se eu não tivesse subido, não teria estourado o baço, quebrado um braço e passado dias no hospital.
Como eu digo sempre: quem não tenta, não erra.